terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Lição 09 - A Conversão de Paulo

A Conversão de Saulo (Atos 9:1 -19a)

 No que concerne a Lucas, a conversão de Paulo foi a conseqüência singular mais importante do "caso Estevão". A importância desse evento se comprova pela tríplice repetição dessa história, primeiro aqui, depois em 22:5-16, e finalmente em 26:12-18. A autoridade de Lucas deve ter sido a do próprio Paulo. Os três relatos diferem nos pormenores, e não é fácil determinar até que ponto isso se deve a Paulo — ou a Lucas — embora possamos ter razoável grau de certeza de que pelo menos alguns pontos de variação se devem a Paulo, que adaptava os relatos aos diferentes auditórios a quem falava (veja ainda a disc. sobre 21:37-22:5). Seja como for, o fato central de uma experiência culminante se estabelece acima de qualquer sombra de dúvida nos escritos do próprio Paulo (1 Coríntios 9:1; 15:8s, ; 2 Coríntios 4:6; Gálatas 1:12-17; Filipenses 3:4-10; 1 Timóteo 1:12-16).
Lucas conta a história como se o que acontecera tivesse uma realidade objetiva. Certos eruditos modernos têm questionado esse ponto. Surgem, então, às vezes, idéias sobre uma razão psicológica. Diz
Weiss: foi "o resultado final de uma crise íntima" causada pelo senso de fracasso de Paulo ao querer guardar a lei (J. Weiss, vol. 1, p. 190). Se Romanos 7:14-25 reflete esta experiência anterior à conversão do apóstolo, essa teoria tem algum mérito, embora fique longe de explicar adequadamente o que aconteceu. Outros atribuem a experiência de Paulo a um acesso de epilepsia, ou ao fato de ele cair num transe de êxtase. Outros ainda têm argumentado que essa trama toda foi engendrada a partir de uma lenda. A explicação do próprio Paulo, no entanto, foi que ele havia tido um encontro com o próprio Cristo vivo, o qual de certa maneira diferiu de suas subseqüentes "visões e revelações" (2 Coríntios 12:1), de modo que o apóstolo só conseguia explicá-lo como a última aparição de Cristo, após sua ressurreição (1 Coríntios 15:8). A experiência de Cristo como poder dentro do crente não era estranha a Paulo (Romanos 8:10; Gálatas 2:20), "mas na estrada de Damasco ele não só experimentou o poder internamente, mas acima de tudo, percebeu uma pessoa externamente — não recebeu apenas a dádiva da graça, mas também a vinda do Senhor ressurreto. Portanto, Paulo declara ter visto a Jesus, o que é algo singular e marcante, não podendo ser menosprezado, nem deixado de lado como insignificante" (Dunn, Jesus, p. 109). Somente sua inabalável convicção da realidade do que havia acontecido explica suficientemente o resultado atingido: "a mudança radical de uma vida centralizada em si mesmo, para uma vida centralizada em Cristo, uma completa submissão a Jesus Cristo, pela qual ele se torna discípulo do Mestre e servo do Senhor, sua admissão no reino de Deus na terra, e no ministério apostólico, que era a tarefa da comunidade cristã (T. W. Manson, pp. 13s.).
9:1-2 / Prosseguiu a perseguição à igreja de Jerusalém, com Paulo respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor
(v. 1) — ameaças que talvez não fossem de todo vazias (veja a disc. sobre 22:4 e 26:10). Não contente com isso, Paulo desejava estender seus esforços além da cidade (veja a disc. sobre 26:11). De 26:10 fica evidente que Paulo já estava agindo sob uma comissão nomeada pelo sumo sacerdote, mas agora dirigiu-se ao sumo sacerdote (talvez Caifás) e pediu-lhe que seu mandato se estendesse de modo que lhe permitisse procurar alguns daquela seita, quer homens quer mulheres... de Damasco para que os conduzisse presos a Jerusalém (v. 2; veja a disc. sobre 1:14). A expressão "o Caminho" (que ECA traduz aqui diferente­mente, por "seita") é peculiar a Atos (cp. 19:9, 23; 22:4; 24:14, 22) e talvez se originasse entre os judeus que viam os cristãos como os que haviam adotado um "Caminho" (ou modo de vida) distintivo. Todavia, logo a palavra "Caminho" seria usada pelos cristãos como meio adequa­do de descrevê-los como seguidores daquele que é "o Caminho" (João 14:6s.; os sectários de Qumran também se referiam a si mesmos como "o caminho", p.e., 1 QS 9.17s.; CD 1.13). Havia seguidores do "Cami­nho" em Damasco, de cuja presença não tomamos conhecimento senão mediante Lucas, o que nos lembra de como Lucas é seletivo ao narrar sua história. A expressão se encontrasse (v. 2) não significa que haveria dúvida quanto à presença deles ali; a dúvida estaria na legalidade da ação de Paulo em prendê-los, visto não se tratar de meros refugiados recentes (8:1), mas de cristãos que residiam em Damasco e evidentemente haviam sido capazes de combinar a fé cristã com a prática judaica, de maneira aceitável perante seus correligionários judeus. A questão, portanto, era se as numerosas sinagogas existentes em Damasco cooperariam com Paulo na ação contra seus próprios companheiros que haviam optado por reconhecer que Jesus era o Cristo. As cartas para as sinagogas (v. 2) seriam uma ajuda, visto que embora o Sinédrio não tivesse autoridade legal fora da Judéia, sua reputação representaria autoridade moral sobre os judeus da diáspora (veja Sherwin-White, p. 100). Paulo também procuraria a ajuda dos magistrados locais, mas o nome do Sinédrio judaico teria tido peso suficiente até mesmo sobre tais magistrados, de modo que Paulo se sentiria confiante quanto à aquiescência deles, senão quanto à sua total cooperação. Fosse como fosse, parece que Paulo lançou-se com ímpeto, cheio de esperanças de grande sucesso. Estava acompanhado por inúmeros capangas, talvez designados dentre os guar­das do templo, a fim de ajudá-lo a efetuar as prisões.
9:3-5 I Damasco, se não for a cidade mais antiga do mundo, pelo menos merece o título de a cidade que mais persiste. Fica a noroeste da planície de Ghuta, a oeste do deserto sírio-árabe e a leste dos montes Anti-Líbano. A região era um oásis, banhado por um sistema de rios e canais, famosa pelos seus pomares e jardins. Desde tempos imemoriais, Damasco tem desempenhado papel importante como centro religioso e comercial. Era também centro natural de comunicações, ligando os países do Mediterrâneo ao leste. Partindo de Damasco, as estradas seguiam pelo deserto rumo à Assíria e Babilônia; pelo sul à Arábia, e pelo norte a Alepo. Partindo de Jerusalém, havia duas estradas que conduziriam Paulo a Damasco. Uma delas era a estrada que saía do Egito e se projetava sempre perto do litoral, avançando depois pelo interior, ao longo do Jordão, até o norte do mar da Galiléia. Para apanhar essa estrada, Paulo teria primeiro que viajar para o oeste, na direção do mar. A outra estrada atravessa Neápolis e Siquém, do outro lado do Jordão, ao sul do mar da Galiléia, e a noroeste até Damasco. Sendo de ambos os caminhos o mais curto, teria sido a rota mais provável de Paulo.
Quando Paulo se aproximava de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu (v. 3). A palavra grega é muito empregada com o sentido de relâmpago, de modo que é assim que Lucas pretende dar-nos uma idéia da intensidade da luz, embora as circunstâncias sejam de tal ordem que obviamente a descrição não pretendia referir-se a um fenômeno natural. Em 22:6 a hora é determinada como sendo "quase ao meio-dia", e em 26:13 se diz que a luz "excedia o resplendor do sol", e envolveu o grupo todo, inclusive Paulo. A luz se associa com muita freqüência, nas Escrituras, à revelação de Deus (cp. 12:7), sendo esse o caso aqui, com toda a clareza. Era a glória de que Estevão havia falado
(7:2) que aparecia a Paulo, de acordo com o tema de Estevão, em terra que não era a sua, mas estranha. Mais precisamente, era a glória de Deus que brilhava "na face de Jesus Cristo"(2 Coríntios 4:6), visto que embora a narrativa não o diga nestas exatas palavras, noutras passagens somos informados de que Paulo viu a Jesus (cp. vv. 17, 27; 22:14; 26:16): não o viu como os outros o viram, mas viu o Filho que ascendera aos céus, resplendente na glória do Pai, cegando o olho humano, pois ninguém pode ver a face de Deus (cp. Êxodo 33:20).
Paulo e quantos o acompanhavam caíram ao chão. Veio a Paulo um som, como a voz de Cristo: Saulo, Saulo, por que me persegues? (v. 4). A forma semítica de seu nome (Shaul) é usada em todos os três relatos — certamente como reminiscência deste acontecimento notável. Quanto à solene repetição do nome, compare com Gênesis 22:11, Mateus 23:37, e Lucas 10:41; 22:31. De início, é possível que Paulo tivesse ficado todo confuso, sentindo apenas que estava na presença de Deus. É por isso que ele usa o nome do Senhor ao fazer-lhe uma pergunta. E recebe a resposta: Eu sou Jesus, a quem tu persegues (v. 5; cp. 22:8, "Eu sou Jesus de Nazaré"), e com essas palavras vem também a primeira lição que Paulo precisava aprender, a saber, que Cristo tinha "um corpo", uma presença tangível na terra, a igreja (veja a disc. sobre 1:1; cp. Romanos 12:4, 5; 1 Coríntios 6:15; 8:12; 10:16s.; 12:12ss.; Efésios 1:23; 4:4, 12, 16; 5:23; Colossenses 1:18, 24; 2:19), de modo que era a ele, ao próprio Cristo, que Paulo vinha ferindo ao perseguir seu povo (cp. Mateus 25:40, 45; Lucas 10:16). E Paulo fez mais duas descobertas. Primeira, que os cristãos estavam certos ao proclamar a ressurreição de Jesus. O emprego do nome do Senhor aqui expressa a percepção de Paulo de que o Jesus histórico era o Cristo que lhe aparecera. Segunda descoberta: Gamaliel tinha razão, visto que Paulo fora na verdade apanhado lutando contra Deus (cp. 5:39).
9:6-8) / No devido tempo, Paulo receberia instruções sobre o que deveria fazer, mas nesse momento ele já era um novo homem (cp. 2 Coríntios 5:17; Filipenses 3:4ss.). Paulo não poderia jamais esquecer de modo completo seu passado, mas tudo lhe fora perdoado (veja a disc. sobre 3:19), e Deus lhe havia preparado uma nova tarefa. Deve-se notar que em 26:16-18 há um breve resumo, como se o Senhor, por ocasião dessa experiência de Damasco, tivesse explicado a respeito de qual viria a ser sua nova tarefa. Entretanto, a narrativa naquele capítulo foi bastante condensada, com omissão de todas as referências a Ananias, com quem Paulo aprenderia mais tarde qual seria o propósito para o qual Cristo o tinha convocado (veja a disc. sobre os vv. 15s.; 22:12-16, e também 22:17-21). Note-se que os companheiros de Paulo foram muito menos influenciados do que ele mesmo pelo que acontecera. Haviam visto a luz, haviam ouvido o som (v. 7; cp. 22:9; 26:14), e à semelhança de Paulo haviam sido atirados ao chão (26:14 liga de modo explícito sua cegueira à luz). Certa vez Jesus havia-se referido a esse tipo de cego, ao falar de "um cego guiar outro cego" (Mateus 15:14; 23:16); estando cego agora, Paulo foi conduzido por outros a Damasco (v. 8), onde se hospedou na casa de um Judas, na rua Direita (cp. v. 11). Tais pormenores, como o nome do anfitrião e da rua onde este morava indicam a existência de uma fonte bem perto do local dos acontecimentos (cp. 16:15; 17:6s.; 18:2s.; 21:8, 16; também 10:6).
9:9-12 / Paulo permaneceu nesta casa durante três dias, sem comer nem beber — sinal, talvez, de profunda contrição, ou quem sabe em antecipação de outras revelações (cp. v. 6, e veja a disc. sobre 13:2), ou talvez como conseqüência de seu estado de choque. Paulo orava e jejuava. Sendo um fariseu devoto, deveria orar com muita freqüência. Entretanto, quem sabe pela primeira vez Paulo estava aprendendo a diferença entre "rezar, ou pronunciar palavras perante Deus" e orar (a reação do verdadeiro crente perante a graça de Deus que lhe foi dada por Cristo). O orgulhoso fariseu da parábola de Jesus havia tomado o lugar do outro homem (Lucas 18:9-14). Esta passagem ensina a importância da oração tanto para Paulo como para a igreja no desempenho de sua missão. Em todas as situações críticas desta história encontramos o povo orando (10:2, 9; 13:2, 3; 14:23; 16:13, 16, 25; 20:36; 21:5; 22:17-21; 27:35; 28:8; veja também a disc. sobre 1:14). É também a primeira de várias passagens em que as visões estão ligadas à oração (cp. 10:2-6; 9:17; 22:17-21; 23:11; cp. tambem 16:9, 10; 18:9, 10; 26:13-19). Seja o que for que entendermos em relação a esses fenômenos, devemos con­cordar em que expressam a convicção de que em todos os casos as orações foram respondidas (veja a disc. sobre 1:14). Neste caso particu­lar, uma visão enquadra-se noutra (cp. 10:1-23). Numa, Paulo viu um homem vindo a ele; na outra, o tal homem, o próprio Ananias, recebe orientação no sentido de ir a Paulo e impor-lhe as mãos para que ficasse curado (cp. 1 Samuel 3:4ss.; veja a nota sobre 5:12). O v. 11 é a primeira referência, numa série de cinco, em Atos, à cidade em que Paulo nasceu. Sendo talvez tão antiga quanto Damasco, Tarso foi a principal cidade de Cilícia Pedeias (veja as notas sobre 6:9 e 15:23). A julgar pela extensão de suas ruínas, a população de Tarso na época dos romanos deve ter chegado perto de meio milhão de pessoas. Era uma cidade que possuía todos os elementos necessários para torná-la o grande centro comercial que de fato veio a ser: excelente porto, uma região interiorana rica, e uma posição de comando na extremidade sul da rota comercial através dos montes do Touro, dos portões Cilicianos, até à Capadócia, Licaônia e interior da Ásia Menor em geral. Tarso passou para as mãos romanas ao sair do império desmoronado dos Selêucidas, antes de 100 a.C, embora o domínio integral não fosse conseguido senão depois de 60 a.C. Sob os selêucidas, Tarso se tornara uma das três grandes cidades universitárias do mundo mediterrâneo. Strabo refere-se à univer­sidade de Tarso como sendo superior, em alguns aspectos, às de Atenas e de Alexandria (Geografia 14.5.13). Era especialmente importante como centro da filosofia estóica. Portanto, Paulo deve ter ficado em débito para com aquela escola de pensamento em Tarso, pela sua familiaridade com seus princípios filosóficos (veja a disc. sobre 17:18), não todavia pelos anos de sua mocidade ali passados (veja a disc. sobre 22:3), mas pelo período que ali viveu mais tarde (veja a disc. sobre 9:30). O ofício de Paulo de fazer tendas constituía importante ramo comercial ciliciano (cp. 18:3). 9:13-14 / Surge Ananias nesta narrativa apenas como um "discípulo". Era um judeu cristão muito ligado à lei, um homem bastante respeitado entre os judeus de Damasco (veja a disc. sobre 22:12). É possível que fosse um líder entre os cristãos. Haviam chegado a ele notícias acerca de quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém esse homem, Paulo, que Ananias não tinha desejo de encontrar agora, em Damasco (v. 26). Lucas apresenta o tormento de Ananias de forma dramática, mediante um diálogo com o Senhor (Jesus), e aqui encontramos outros dois nomes para os cristãos (cp. "o Caminho", [ECA traz "seita"] v. 2). São chamados de santos (v. 13, lit., "sagrados ou separados", cp. vv. 32, 41; 26:10, e quanto ao verbo, 20:32; 26:18). O Antigo Testamento empregava esse termo tanto para indivíduos como para Israel como um povo, mas Ananias não hesitou em aplicá-lo agora aos cristãos, o novo "Israel de Deus" (Gálatas 6:16). Note-se que em 26:10 o próprio Paulo usa esse termo, talvez numa repetição consciente de Ananias, a menos que, é claro, a linguagem fosse inteiramente de Paulo. Pelo menos seis de suas cartas são dirigidas "aos santos", ou "chamados para ser santos". Em segundo lugar, os cristãos são também os que "invocam o teu nome [de Jesus]". Esta expressão é um eco de 2:21 (citação de Joel 2:32) sendo usada novamente no v. 21 e em 22:16. Esta descrição significa que eles crêem em Cristo e, muito significativamente, relaciona-se de modo íntimo em 1 Coríntios 1:2 com o título de "santos" dado aos crentes. Outra característica distintiva desta passagem é o uso freqüente do título Senhor para Jesus. Era termo comum na época em que Paulo estava escrevendo suas cartas e pode refletir, repitamos, sua própria expressão verbal ao recontar a história a Lucas.
9:15-16 / Repete-se a ordem do Senhor a Ananias para que vá ao encontro de Paulo, e declara-se ao mesmo tempo qual haveria de ser o destino de Paulo. Paulo era um "vaso escolhido [de Deus]", metáfora tirada do trabalho do oleiro. Assim como o oleiro fazia vasos para diversos fins, Deus também fez os seres humanos para seus próprios e variados propósitos (cp. Jeremias 18:1-11; 22:28; Oséias 8:8; 2 Coríntios 4:7; 2 Timóteo 2:20, 21). No caso de Paulo, ele haveria de tomar sobre si o manto do Servo sofredor (cp. Colossenses 1:24), porquanto ele haveria de ser "uma luz para as nações", para que Paulo pudesse "levar o nome de Deus" (continuando a metáfora do vaso) perante os gentios, os reis e os filhos de Israel (v. 15; cp. 26:22; Isaías 49:6; veja a disc. sobre 13:47). Observe que esta missão incluía os judeus, mas a ordem das palavras enfatiza os gentios. Eis uma extraordinária reviravolta na vida de Paulo, o fariseu (veja a disc. sobre 10:9ss. e a nota sobre 10:28). O desempenho fiel dessa missão traria muito sofrimento a Paulo, como trouxera ao próprio Servo (não, todavia, como punição pelo seu passado, mas simplesmente "por amor do Senhor"). Quanto Paulo deveria sofrer lhe seria revelado de tempos em tempos (p.e., 20:23), e podemos ver um pouco disso nas cartas do apóstolo (p.e., 1 Coríntios 4:9ss.; 2 Coríntios 6:4, 5; 11:23-28; Filipenses 3:4ss.; Colossenses 1:24; 2 Timóteo 4:6). Tudo isto Ananias comunicou a Paulo quando ambos se encontraram (22:14s.).
9:17-19a /Ananias finalmente venceu sua relutância, senão seu medo, e acabou indo à casa da rua Direita. Ali, impôs as mãos sobre Paulo, anunciando-lhe que havia sido enviado por Jesus, a fim de que tornes a ver, e sejas cheio do Espírito Santo (v. 17). Nenhuma palavra de recriminação, mas uma recepção calorosa à comunhão da igreja (cp. v. 27). A imposição de mãos deve ser vista como um sinal da cura dos olhos, não do enchimento de Paulo com o Espírito Santo—e menos ainda como método mediante o qual esse dom é concedido. O enchimento de Paulo com o Espírito Santo relaciona-se melhor com seu batismo, mas repita­mos, não como o método ou meio, mas simplesmente como um sinal externo de uma graça espiritual interna (veja a disc. sobre 2:38). A vista de Paulo foi restaurada (Lucas descreve a cura empregando termos de medicina); Paulo foi batizado (teria sido pelas mãos de Ananias? ), alimentou-se e "sentiu-se fortalecido". É possível que este seja outro termo médico, e assim Paulo estava pronto para o que o aguardava.

Notas Adicionais # 22

9:4 / Por que me persegues? : A resposta a esta pergunta tem sido encontrada em Gálatas 3:13. Antes de sua conversão, Paulo considerava Jesus como maldito, de acordo com Deuteronômio 21:22s. (veja a disc. sobre 5:20). Por esta razão, Paulo havia blasfemado contra o nome do Senhor (1 Timóteo 1:13) e tentou levar outros a blasfemar também (Atos 26:11), isto é, dizer: "Jesus é anátema" (1 Coríntios 12:3). Após sua conversão, Paulo prosseguiu afirmando, "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição", mas agora acrescenta duas palavras, "por nós", ou "por mim" (cp. também Gálatas 2:20). Veja J. Jeremias, The Central Message of the New Testament (Londres: SCM Press, 1965), p.35s.
9:17 / O Senhor Jesus... me enviou, para que... sejas cheio do Espírito Santo (cp. 22:12ss.): à vista da insistência posterior de Paulo, em Gálatas 1:1, 11s., em que havia recebido comissão apostólica não de mãos humanas, mas diretamente de Cristo, é importante que notemos, com Bruce, que em primeiro lugar Paulo se defende, em Gálatas, da acusação de que havia recebido comissão dos apóstolos originais. O papel desempenhado por Ananias não teria prejudi­cado sua argumentação, ainda que esse discípulo fosse um líder em Damasco. Em segundo lugar, seja como for, Ananias desempenhou a função de um profeta, de modo que suas palavras foram as do Cristo ressurreto (Book [Livro], pp. 200s.).

Um comentário:

  1. Realmente acredito que ter consentido na morte de Estêvão foi algo impactante para Saulo . Acredito que ter presenciado a fé de Estêvão fez toda diferença para que Saulo se convertesse e se transformasse em Paulo um dos mais admiráveis pregadores de todos os tempos .

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